13 janeiro 2015

Poetas da presença - 2 - Cristovam Pavia


Filho de um poeta da presença, Cristovam Pavia pertenceu à geração de 50 que tomou Régio como mestre e cultivou um certo revivalismo da poética presencista, a que chamaremos o neopresencismo. Pelo seu espírito e pelas suas ligações familiares, Cristovam Pavia é definitivamente digno do título de neopresencista.

(1933-1968)


Cristovam Pavia é o pseudónimo de Francisco António Lahmeyer Flores Bugalho, filho do poeta Francisco Bugalho e neto materno do Prof. António Flores.


Nascido em Lisboa, aqui morreu, com 35 anos apenas, a 13 de Outubro de 1968 – no mesmo dia em que no Brasil faleceu Manuel Bandeira, um dos seus poetas mais amados (alguns dos outros: Rainer Maria Rilke, sobre quem preparava, sem jamais a acabar, a tese de licenciatura; José Régio, a quem pelas noites fora escrevia cartas que eram a arrebatada confissão de vivências espirituais; Adolfo Casais Monteiro e Jorge de Sena, de quem nos falava com ardor).

Passou a infância e parte da adolescência em Castelo de Vide, nas quintas familiares que nos versos tão limpidamente evoca. Frequentou as Faculdades de Direito e de Letras, em Lisboa, e estudou também na Alemanha, onde, de outra ocasião, longamente permaneceu a tratar-se da afeção nervosa que veio, talvez, a causar-lhe a morte sob os rodados de um comboio. A sua voz, que de algum modo se identifica com a de Sebastião da Gama – que ele intimamente conheceu –, é, no coral da jovem poesia portuguesa, uma das mais puras e mais poéticas (no sentido em que a poesia transcende a pesquisa meramente cerebral de engenhosas formas verbais, para ser a transfiguração, através da palavra escrita, de sentimentos, ideias, emoções, experiências – de toda a humanidade do poeta, em suma).

Na sua densa concisão, os únicos 35 Poemas que nos legou bem merecem estas certeiras palavras do seu mestre José Régio: «Poesia não realista, não descritiva, não retórica, – exigente e discreta, de bom gosto, direta às vezes outras vezes exprimindo por alusões e sugestões, próxima do vago da música. Frequentemente hermética, então de aquele hermetismo ou semi-hermetismo, que é o autenticamente poético, por natural e boa parte da alta poesia».


Luís Amaro
Artigo no Diário de Notícias.

Obra poética


1. Cristovam Pavia (1959) 35 Poemas, col. 'Círculo de Poesia', 6, Lisboa: Morais.


2. Cristovam Pavia (1982) Poesia, col. 'Círculo de Poesia', 108, Lisboa: Moraes.
3. Cristovam Pavia (2010) Poesia, Lisboa: Dom Quixote.

















Bibliografia

  • João Gaspar SIMÕES (1962) 35 Poemas, Crítica II, 2.º vol. (1943-1961), 285-290; 
  • Maria Aliete GALHOZ (1968) Deixei-te só à hora de morrer, Supl. lit., A Capital, Lisboa, 20.11; 
  • Fernando J. B. MARTINHO (1968) Na Morte de Cristovam Pavia, Sup. lit., Diário de Lisboa, Lisboa, 28.11, 5; 
  • Alberto Vaz da SILVA, João Bénard da COSTA, M. S. LOURENÇO, Nuno de BRAGANÇA e Pedro TAMEN (1968) In memoriam Cristovam Pavia, O Tempo e o Modo 64, 65, 66, Lisboa; 
  • José RÉGIO (1969) Cristovam Pavia e os '35 Poemas', Das Artes, das Letras, Supl. lit., O Primeiro de Janeiro, Porto, 29.01; (1994) reprod. em CRÍTICA E ENSAIO/2, col. 'Obras Escolhidas', s/l: Círculo de Leitores, 338-343. 
  • António Ramos ROSA (1969) Nótula crítico-biográfica, Líricas Portuguesas – 4.ª série, Lisboa: Portugália, 91-96. 
  • Célia da Rocha GOMES (2003) «UMA VOZ SERENA DE INFÂNCIA» em '35 Poemas' de Cristovam Pavia, Dissertação de Mestrado em Literaturas Românicas Modernas e Contemporâneas apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto. 
  • Fernando J.B. MARTINHO (2010) Prefácio e nota biográfica, Cristovam Pavia, Poesia, Lisboa: Dom Quixote. 



José Régio com Cristovam Pavia


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REQUIEM


(ao menino morto, eu próprio)

A tarde declina com uma luz ténue.
Estou grave e calmo,
E não preciso de ninguém
Nem a luz da tarde me comove: entendo-a.
Até as imagens me são inúteis porque contemplo tudo.


Os ventos rodam, rodam, gemem e cantam
E voltam. São os mesmos:
Como os conheço desde a infância!
E a terra húmida das tapadas da quinta...
O estrume da égua morta quando eu tinha seis anos
Gira transparente nesta brisa fria...
(Na noite gotas de orvalho sumiam-se sob as folhas das ervas...)


Oh, não há solidão nas neblinas de inverno
Pela erma planície...
E foi engano julgar-te morto e tão só nas tapadas em silêncio...
Agora sei que vives mais
Porque começo a sentir a tua presença, grande como o silêncio...
Já me não vem a vaga tristeza do teu chamamento longínquo.
Já me confundo contigo.



POEMA
(de uma fotografia de meu Pai comigo,
pequeno de meses, ao colo)

Vamos através do incêndio
Mas não temas, meu filho.
Podes dormir nos meus braços frescos e fortes,
Embala-te a cadência dos meus passos.

Vamos através do incêndio
E sonhas.
Detrás das tuas pálpebras a tarde
Beija e doira as folhas dos sobreiros.

E quase me esqueço
Deste puro fogo,
P’ra te dar frescura.
Arde o meu sangue calmo,
E o meu suor, arde.

E devagar,
Vamos através do incêndio.

Dorme, meu filho.



MAIS UMA POESIA A NOSSA SENHORA


Trago-Vos rosas vermelhas, rosas pálidas, rosas brancas...
Trago-Vos violetas e margaridas
Em molhos orvalhados...
Trago-Vos a alegria dos campos...
A claridade do céu azul reflectido nas águas...
Trago-Vos o meu amor natural e fresco

Entre as outras flores...



«O POEMA QUE HEI DE ESCREVER...»


O poema que hei de escrever para ti, dando notícias
Do último reduto das coisas, das profundidades intactas,
Nasce, adormece e referve-me no sangue
Com a íntima lentidão dos teus seios desabrochando,
Porque, sei, não estás longe (nem da minha vida!), meu mistério fiel.
Hoje a nossa companhia é a tua inconsciência e o teu instinto: puro
Instinto que eu, de longe, embalo e velo
E acordará («em frente!») às primeiras palavras
Do poema, quando ele despontar.


Cristovam Pavia, 35 Poemas



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Efeméride



13 DE OUTUBRO - CRISTOVAM PAVIA

Cristovam Pavia, de seu verdadeiro nome Francisco António Lahmeyer Flores Bugalho, poeta português, morreu em Lisboa no dia 13 de Outubro de 1968. Nascera, igualmente na capital portuguesa, em 7 de Outubro de 1933, tendo passado a infância em Castelo de Vide. Era filho do também poeta Francisco Bugalho, da geração da revista Presença. Utilizou igualmente os pseudónimos Sisto Esfudo, Marcos Trigo e Dr. Geraldo Menezes da Cunha Ferreira.

A partir de 1940, residiu em Lisboa, onde terminou os estudos liceais. Frequentou depois a Faculdade de Direito de Lisboa, que abandonou para ingressar na Faculdade de Letras.

Entre 1960 e a sua morte, trabalhou na construção civil, vivendo entre Lisboa, Castelo de Vide, Paris e Heidelberg, onde recebeu acompanhamento psicoterapêutico.

A sua única obra poética editada em vida, 35 Poemas, data de 1959, embora tenha colaborado com poesias de sua autoria em diversos jornais e revistas, como Diário Popular, Árvore, Anteu, Távola Redonda e Serões. Morreu, prematuramente, seis dias depois de ter completado 35 anos de idade.





10 janeiro 2015

Ópera com libreto de Vasco Graça Moura, a partir da peça 'Jacob e o Anjo', de José Régio.


Temporada DARCOS 2015 em Torres Vedras



A 05 de abril, é apresentada a ópera Banksters, de Nuno Côrte-Real, com libreto de Vasco Graça Moura, a partir da peça Jacob e o Anjo, de José Régio.

Nesta obra, cujo título sintetiza as palavras «bankers» e «gangsters», participam vários cantores portugueses, dos quais se destacam os solistas Luís Rodrigues, Dora Rodrigues e Mário João Alves, o Coro Ricercare, dirigido pelo maestro Pedro Teixeira, e o Ensemble Darcos, sob a direção musical do compositor

Nuno Côrte-Real disse que pretende que «este espetáculo seja uma homenagem ao escritor, fazendo uma síntese dos mais importantes momentos da ópera, estreada no Teatro Nacional de São Carlos em 2011».

«— A Temporada Darcos 2015 é a mais conseguida das que programei pois apesar das grandes limitações orçamentais foi possível trazer grandes pianistas como Artur Pizarro e Adriano Jordão, que vai tocar o Concerto nº3, de Beethoven, com a Orquestra do Norte em Outubro, e alguns dos melhores cantores portugueses como é o caso de Luís Rodrigues, Dora Rodrigues e Mário João Alves, que vão fazer excertos da minha  ópera Bankters em Abril por ocasião do primeiro aniversário da morte de Vasco Graça Moura, autor do inspirador libreto», conta o compositor Nuno Côrte-Real.


Construído a partir da peça Jacob e o Anjo, de José Régio, o libreto transpõe o enredo para o atual mundo da alta finança numa linguagem que recria o estilo vicentino e foi objeto de uma encenação do realizador João Botelho por ocasião da estreia no Teatro Nacional de São Carlos em 2011.

«— Não sendo possível uma reposição integral devido aos elevados custos, optou-se por uma versão de câmara para 15 instrumentistas, cantores solistas e coro, apenas com alguns apontamentos cénicos», refere o compositor. O espetáculo será apresentado no CCB nos dias 3 e 4 de Abril e um dia depois no Teatro-Cine de Torres Vedras.

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=795532&tm=4&layout=121&visual=49

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/uma-temporada-musical-para-torres-vedras-1681696

30 dezembro 2014

Poetas da presença - 1 - Fausto José


(1903-1975)


Biografia


Fausto José dos Santos Júnior nasceu em Aldeia de Cima, à época pertencente à freguesia e concelho de Armamar (desde 1947 pertence à freguesia de Aldeias, criada nesse ano), em 18 de Março de 1903 (data oficial; a real é 13 de Março). Eram seus pais Fausto José dos Santos, advogado e conservador do Registo Predial, e Dona Laura Amanda Alves Teixeira Basto dos Santos, ambos naturais de Armamar. O casal teve dois filhos: Fausto e Alípio.

Faleceu na aldeia natal, em 23 de Setembro de 1975, em circunstâncias algo dramáticas devido à doença e mostrando sinais de perturbação mental, e ali está sepultado.

Em Junho de 2003, a Câmara Municipal de Armamar comemorou o 1.º centenário do seu nascimento, com uma sessão evocativa, uma exposição bibliográfica e iconográfica, e a edição da biografia-estudo-antologia Fausto José poeta de Portugal, de César Luís de Carvalho. No mesmo ano foi-lhe erigido um memorial em Aldeia de Cima, com o busto do poeta encimando uma pilha dos seus livros, e dado o seu nome à praça central da povoação.


Carreira escolar e profissional


Após os estudos primários em Aldeia de Cima, onde a família residia e possuía bens avultados, frequentou o Liceu Nacional de Lamego (1914-1917) e depois o Liceu Central de Rodrigues de Freitas, no Porto (1917-1920). Seguindo as pisadas do pai, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, que frequentou entre 1920 e 1929. Foi condiscípulo de Horácio de Assis Gonçalves, que viria a ser governador civil de Vila Real.
Inicia a vida profissional como jovem advogado em Armamar, com pouca vocação, pouco nome e pouca clientela. Apresenta-se a concurso para a carreira consular, sem contudo obter sucesso. Abraça então a carreira de conservador do Registo Civil. Exerceu essas funções em Porto Santo (1938-1939), Tarouca (1951-1964) e Peso da Régua (1964-1971).
Em Fevereiro de 1939 casou com Dona Maria Francisca de Freitas Branco, no Funchal. No mesmo ano nasce Bernardo, o filho único.

Foi presidente da Câmara Municipal de Armamar, entre 1940 e 1951. Não apreciava sobremaneira funções burocráticas. Em carta a José Régio, com quem manteve correspondência frequente, dirá: «Decididamente, não nasci para fazer registos e passar certidões que nada me dizem». Queixa-se igualmente do cargo de presidente, que o enreda em pequenas questões de ordem prática. Quando se liberta desse cargo, desabafa, em carta a Alberto de Serpa: «A saída da Câmara, não calculas, foi para mim imensamente agradável e em todos os sentidos. Descansa o espírito que andava sempre ocupado com mil e um cuidados; descansa o corpo que continuamente se deslocava por freguesias, aldeolas e lugares, solicitado por infinitas necessidades, e até descansa a bolsa que frequentemente se esvaziava só para servir os outros (…)».

Do que gostava verdadeiramente era da caça. «A caça é uma evasão… Esquecemo-nos de todos e de tudo! E até das nossas mágoas…» – deixará escrito numa folha manuscrita. E, noutro local: «Cada qual é para o que nasce, diz o povo. Estava escrito: tinha de ser caçador de perdiz. E, para a perdiz, um galgo...». Esta paixão, que o leva a calcorrear incansavelmente montes e vales, ditou-lhe um dos seus livros, É el-rei que vai à caça, de 1951. É também uma das razões principais da sua amizade fraterna com Tomás de Figueiredo, outro grande escritor-caçador, que vinha frequentemente a Aldeia de Cima para umas caçadas ou umas cavaqueiras.


Poeta da presença


Estudante em Coimbra, cedo integrou um círculo de jovens interessados pelas letras, que incluía José Régio, Miguel Torga, Alberto de Serpa, Branquinho da Fonseca e outros – justamente a geração que acabaria por fundar a revista Presença, o órgão da chamada segunda geração modernista. Colaborou nas revistas Byzancio (seis números, em 1923 e 1924), de que foi um dos directores, assinando Fausto dos Santos, e Tríptico (1924). Mas é à Presença que dá colaboração mais assídua, até porque a revista tem uma duração relativamente extensa (1927-1940). Não só colabora, como contribui financeiramente para ela, uma vez regressado à tebaida de Armamar. Em resposta a um apelo de José Régio, escreve: «(…) Sinto verdadeiramente não te poder dar uma resposta mais extensa… mas as finanças no momento presente andam um pouco debilitadas e por isso apenas te envio vinte escudos; contudo logo que me veja mais bem fornecido de massas, não deixarei de concorrer com mais alguma coisa para que a 'Presença' continue singrando (…) com o mesmo aprumo e galhardia com que tem seguido até hoje». Este apoio financeiro repetiu-se com alguma regularidade.

Fausto José era um homem bom, simples, sensível. Confraternizava com os desprotegidos, a quem dedicou O livro dos mendigos, de 1966. «Era modesto, afável, alegre, romântico, desorganizado, bondoso, mulherengo, católico convicto e praticante fervoroso e também caçador de primeira plana e bom garfo. Gostava de discutir, mas sabia ouvir. Não era dos que procuram impor os seus pontos de vista». (Testemunho de um amigo próximo num boletim da Câmara Municipal de Armamar, de 1993).

Além de José Régio, correspondia-se com Alberto de Serpa, Adolfo Casais Monteiro, Branquinho da Fonseca, Tomás de Figueiredo, Vitorino Nemésio. Era apreciador de tertúlias, quer na sua casa de Aldeia de Cima, quer em Vila do Conde (à roda de Régio), quer em Esposende (em casa de Agustina Bessa-Luís). Contudo, a sua atitude era um tanto ausente, talvez devido a problemas de audição, de que se começa a queixar em 1955. Agustina Bessa-Luís recorda: «De todos os que vinham pelo Diana-Bar, à tarde, era o Fausto José quem não conversava solenemente, como quem diz missa. (…) O Fausto ficava no seu castelo, a fumar e a sorrir. Ouvia ou não ouvia? Era uma surdez angélica (…)».

Lado a lado com a criação poética, faz palestras aos microfones da Rádio Alto Douro sobre temas literários, a partir de 1954.
Se a poesia dos presencistas é, na sua quase totalidade, de matriz provincial, como nota David Mourão-Ferreira, a de Fausto José e a de Francisco Bugalho são-no mais que qualquer outra. Para isso terá contribuído o facto de ambos viverem em meios provincianos: Fausto José em Armamar, Francisco Bugalho em Castelo de Vide. A poesia de Fausto José «(…) representa, no grupo [de Presença], um compromisso com a lírica saudosa e folclorizante», escrevem António José Saraiva e Óscar Lopes. E João Gaspar Simões diz: «Tal como o lirismo desses mestres (Rodrigues Lobo, Gonzaga e João de Deus) também o dele anda mais perto da natureza que da cultura, é mais elementar que erudito, participa mais na vida das coisas que na vida das letras».
É certo que, nos primeiros livros, ainda se podem notar uns laivos de presencismo. Mas torna-se difícil ligar a sua poesia tradicionalista, bucólica, compassiva, suave, toda voltada para a vida exterior, um pouco à maneira do Guerra Junqueiro de Os simples, com a poesia dos homens da Presença, centrada na subjetividade e na vida interior. Essa poesia, não obstante o afastamento temático e formal em relação ao modernismo, era aceite pelos companheiros porque a reconheciam como viva e autêntica – valores essenciais para a geração da Presença. Por tudo isso, Luís Veiga Leitão sustenta que «as ligações de Fausto José com a Presença são de natureza mais acidental que de facto». E, mais adiante: «Há, a espaços, na poesia de Fausto José, uma serenidade e candura que vivamente impressionam. É o chamado 'lirismo puro'». E Montezuma de Carvalho adianta: «Talvez o campo e um maior contacto com a natureza expliquem essa paz que reina na sua poesia».

Eugénio Lisboa, por seu turno, considera: «Pureza, sinceridade, melancolia, luminosidade, um certo tradicionalismo arreigado – são de facto características definidoras desta poesia discreta mas autêntica».

Já agora, interessará conhecer também o que o próprio poeta pensava da poesia: «(…) sensibilidade apurada, poder de expressão, ternura, piedade, enfim, os sentimentos mais puros e mais belos, que são as asas com que a alma se eleva para as alturas (…)».


Bibliografia


Da sua bibliografia constam dez títulos de poesia: Fonte branca (1928); Planalto (1930); Remoinho (1933); Síntese (1934); Solstício (1940); Embalo (1942); Dona Donzela Senhorinha (1946); É el-rei que vai à caça (1951); Voz nua (1957); e O livro dos mendigos (1966).  Hoje muito difíceis de encontrar, estes dez livros foram reunidos pela Câmara Municipal de Armamar em dois volumes, publicados em 1999, sob o título genérico de Obra do poeta Fausto José, e prefaciados por Agustina Bessa-Luís. Publicou além disso uma obra de natureza ensaística, hoje praticamente ignorada: Aspectos da política colonial. A escravatura (1935). Trata-se de «uma dissertação apresentada para 3.º secretário de legação e cônsul de 3.ª classe», no âmbito do concurso para a carreira diplomática.



MENDIGO MORTO


Foram encontrá-lo morto,
Hirto e rijo como um pau;
Toda aquela escura noite
O vento soprava mau,
Caíra neve, e o granizo
Fundia pelo chão liso.

Deitado sobre umas pedras ,

Foram encontrá-lo morto
Ao raiar da madrugada
Como os barcos naufragados
Quando partem as amarras…
Na terra, fundo, cravados,
Seus dedos lembravam garras!

Foi sob a mina do Enxidro:

Tinha os olhos muito abertos,
Tristes como os céus desertos…
E, dentre a barba cerrada,
Uma lágrima gelada
Como uma conta de vidro.


Fausto José, Obra do poeta Fausto José. Vol. 1, Armamar: Câmara Municipal, 1999.


09 novembro 2013

Texto de apresentação na Universidade de Aveiro de "Acta Est Fabula", Memórias de Eugénio Lisboa, vol. I, 17/12/2012


Jorge Manuel Martins

MEMÓRIAS CRUZADAS

Para a Antonieta Lisboa


Regresso sempre à Universidade de Aveiro com verdadeiro prazer. A última vez foi para o lançamento do livro de homenagem a Eugénio Lisboagrande obra coletiva entusiasticamente organizada por Otília Pires Martins e Onésimo Teotónio de Almeida, belamente editada pela Opera Omnia e oportunamente patrocinada por esta Universidade (Martins e Almeida, 2011).

Concederam-me então o privilégio de integrar o grupo dos 72 autores desse volume e de poder contribuir com um artigo sobre diplomacia cultural, a propósito da presidência de Eugénio Lisboa na Comissão Nacional da UNESCO. Nesse meu pequeno testemunho, fiz questão de só citar textos do homenageado, para fugir à tentação de falar de mim.

Hoje, porém, tratando-se do primeiro volume das suas próprias memórias – provocantemente intituladas Acta est Fabula (Lisboa, 2012) –, seja-me permitido quebrar tal protocolo e cruzar algumas das minhas memórias pessoais com as deste autor. Por uma simples razão: somos amigos há quase quatro décadas e só esse facto explica o convite, tão inesperado quanto honroso, para estar aqui.

Antes de avançar, devo fazer um aviso e uma declaração de interesses. Não sou crítico literário e, como sociólogo da comunicação e da cultura, desconfio da investigação assética. Mais: tenho alguma dificuldade em ser isento e, no caso presente, não pretendo de todo ser isento – porque admiro muito o Eugénio Lisboa. Tanto, que faço minhas as célebres palavras de Romain Rolland, então endereçadas a Henry de Montherlant: «o mundo é mais rico para mim desde que o conheço».

Afinal, que venho eu aqui fazer? Nunca fui a Moçambique e sou (um pouco) mais novo do que o autor destas memórias. Além da amizade, só posso explicar ainda a minha presença, neste lançamento, com o facto de vir dedicando, à sua obra, ao longo dos anos, toda a atenção de que sou capaz. Julgo ter sido D’Annunzio a recordar-nos que a melhor homenagem, que podemos prestar a um autor, é justamente a atenção.

Armado destas credenciais e sabendo-me numa universidade, venho aqui propor um modelo de análise para a identificação de chaves de leitura deste singular livro. Dir-me-ão – e bem – que a escrita de Eugénio Lisboa não carece de chaves de leitura. Ele sempre praticou a clareza própria dos pensamentos profundos, a limpidez típica de quem pensa bem. Suspeito, porém, que a leitura do presente livro, à luz de uma obra produzida em mais de meio século, pode ser altamente reveladora.

Em que baseio tal suspeita? Possuindo quase todos os seus livros publicados – sempre em generosa oferta e calorosamente dedicados –, consegui agora regressar rapidamente às páginas que mais me impressionaram. E encontrei muita matéria de interesse para ser cruzada com o atual primeiro volume de memórias – enquanto não chegam os próximos... 

Não, não estou a propor um modelo de tipo psicanalítico. Estou tão-só a tentar aliciar investigadores para uma revisitação da obra do autor e, a partir de tal retrospetiva, para uma leitura das suas memórias. Como veem, é bem ambicioso o modelo de análise aqui avançado: dá tese – e de doutoramento! Não será esta a oportunidade para ensaiar o modelo. Aliás, faltar-me-iam o engenho, a arte e o tempo para concretizar tão grandioso objetivo. Por hoje e a título de exemplo, vou cingir-me à enunciação de cinco meras hipóteses de trabalho, eventualmente operativas.

RÉGIO

A primeira hipótese pode ser a de estudar a vasta produção regiana deste autor. Foi por aí que eu próprio comecei, pela leitura deslumbrada de um original sobre José Régio, que andava esquecido na editora Arcádia, até que eu o recuperei e publiquei em 1976. Dez anos depois, a história foi contada no prefácio da segunda edição (Lisboa, 1986) e a dedicatória pessoal acrescentava o seguinte: «Para o Jorge Martins, a quem este livro também pertence, por razões que o prefácio explicitamente dá». Face a tão rara generosidade, a minha surpresa ditou uma imediata e sensibilizada resposta, que veio a ressurgir, na introdução ao meu Marketing do Livro (Martins, 1999).

Curiosamente, nas presentes memórias, Eugénio Lisboa relata o seu «primeiro encontro com José Régio» em Moçambique, aos 16 anos, através da leitura do volume de abertura da saga familiar A Velha Casa – um Régio que ele próprio «viria a conhecer, pessoalmente, oito anos mais tarde e a cuja obra consagraria não pouco do [seu] tempo de estudioso da literatura e de escritor» (Lisboa, 2012: 155-158).

MONTHERLANT

A segunda hipótese, para o entendimento do homem e da obra destas memórias, pode ser o conjunto dos textos que, ao longo da vida, Eugénio Lisboa vem dedicando a Henry de Montherlant. Recentemente, afirmou que o escritor francês o fascina desde os 20 anos e que, por isso, a ele regressa constantemente «como quem recarrega baterias» (Lisboa, 2009: 171).

Recordo uma conferência de 1967 intitulada 'Henry de Montherlant e a Moral do Artista'. Só a li em 1976, quando me remeteu de Paris os dois volumes da primeira edição da Crónica dos Anos da Peste, mais tarde reeditada num só tomo pela INCM (Lisboa, 1996) e então saudada, num semanário, como «um dos livros mais desassombrados na história da nossa crítica». Foi nessa conferência que descobri esta bela confissão do nosso autor: «Montherlant, o mais pessoal, o mais independente, o mais descaradamente verdadeiro e direto de todos os escritores franceses do século XX (…), era bem o exemplo que me convinha», como «professor de independência» neste nosso «mundo de escravos e de robots» (ibid.: 218). E quanto às virtudes recomendadas por Montherlant na Carta de um Pai a seu Filho, realçava estas: «coragem, civismo, altivez, retidão, desprezo, desinteresse, cortesia, gratidão e ‘de uma maneira geral, tudo o que se entende pela palavra generosidade’» (ibid.: 220).

É ainda nessa conferência que Eugénio Lisboa resume, no binómio honestidade-coragem, a moralidade do escritor em Montherlant. E explica: «A honestidade é essencial para se não embrulhar os resultados da lucidez. Mas a honestidade pode calar-se. Para que se exprima é necessária a coragem» (ibid.: 240). Todos nós, que ouvimos e lemos o nosso autor há muitos anos, percebemos assim os motivos por que ele não se cala, mesmo quando se trata de um prémio Nobel ou de um primeiro-ministro…

A moral do artista está primeiro. Montherlant recordou-lhe que a «lealdade consigo próprio é a maior marca de respeito que um escritor pode dar ao público» (ibid.: 241). Também por isso, nas presentes memórias, afirma-se que foi tomado o partido de se dizer «só a verdade, embora não toda a verdade», até para garantir que elas valham, como «testemunho de uma época e de um lugar» (Lisboa, 2012: 71-72, 87, 135-136). Eu diria que essa é exatamente uma das razões que fazem deste volume muito mais do que simples testemunho de época e de lugar.

MUNDIVIDÊNCIA

A terceira hipótese, para cruzar esta recente retrospetiva memorialística com as linhas estruturais do homem e da obra, pode receber aqui o nome de mundividência. Há quatro anos, no dia do aniversário do Eugénio Lisboa, a minha mulher e eu oferecemos-lhe um grande livro, cheio de impressionantes fotos aéreas do planeta Terra. Quisemos assim dizer-lhe que tínhamos aprendido, com ele, a ver o mundo… de avião.

De facto, a partir de meados dos anos 70, para nós, acabados de sair do orgulhoso e provinciano isolamento português, ele passou a representar alguém que trazia notícias… lá de cima. Vinha dos fundos do hemisfério Sul (Moçambique), a caminho dos cumes do hemisfério Norte (Suécia); trazia, na mesma bagagem, a engenharia e a literatura, a indústria e a poesia, as ciências e as letras; e foi-se deixando ficar entre Londres e Lisboa.

Não era de palavras cruzadas que vinha falar: era de culturas cruzadas ou, melhor, da necessidade de esvaziar a célebre polémica das duas culturas, aberta no final dos anos 50 por C. P. Snow. Para ele, sempre foi natural o cruzamento dos dois campos. Tal como Einstein era tão notável na física como virtuoso no violino, também o jovem Eugénio triunfou tanto nas ciências como nas letras. Ele conta aqui, neste primeiro volume de memórias, como a Matemática e a Literatura o encantavam por igual (Lisboa, 2012: 85, 145), o que lhe valeu quadro de honra quase constante (ibid.: 168), a média final de 18 valores e várias bolsas de estudo (ibid.: 184).

Eu diria que este autor português teve a sorte de nascer e crescer em Moçambique. Porque – reparem nas suas expressões – «dali, via-se a Europa» (ibid.: 71), «por cortesia» de escritores como Balzac, Stendhal ou Thomas Mann (ibid.: 143-144). Em 17 anos de Lourenço Marques, Martin du Gard mostrou-lhe Paris, Pirandello a Itália, Tolstoi a Rússia, Hemingway a América e, tal como tinha acontecido a Montherlant, o celebrado autor do Quo Vadis desvendou-lhe a Roma antiga.

CLÁSSICOS

Ao citar Roma, estamos a avançar para a quarta hipótese, a do fascínio pela cultura clássica. Fascínio bem curioso num engenheiro eletrotécnico, mas perfeitamente natural em quem, logo na sua juventude laurentina, já lia Plutarco, Tácito e Platão, Ésquilo e Sófocles, estes dois últimos por indicação do seu amigo Zeca, nada menos que o futuro grande matemático Tiago Oliveira (ibid.: 115, 121, 123).

Fascínio também muito natural em quem se confessa seguidor de Montherlant e lhe chama «o último romano» e «o grande romano do nosso tempo». Para ambos os escritores, a história romana, como «microcosmo de toda a História», é verdadeiramente «o corrimão» onde podem agarrar-se, em momentos sombrios (Lisboa, 1996: 108-109). Deste fascínio pela cultura clássica decorrem, naturalmente, o título deste primeiro volume de memórias, os subtítulos de vários capítulos e tantas, tantas passagens da vasta obra de Eugénio Lisboa. E decorre também, certamente, a «sobriedade de estilo» aprendida com a «aticidade dos clássicos» (Lisboa, 2012: 80-81).

LIVROS

À quinta hipótese do meu modelo de análise poderemos chamar a magia dos livros. Teve o Eugénio Lisboa a sorte de lhe calharem grandes professores, por exemplo um que «falava dos livros com uma espécie de volúpia, mesmo de luxúria», sendo «um prazer e uma instrução ouvi-lo e viver com ele a magia dos livros» (ibid.: 46,49). Teve a sorte de, na adolescência, lhe ter entrado pelo quarto adentro uma estante com uma centena de bons livros (ibid.: 122-123) e, assim, o seu mundo de leituras ter-se alargado.

Ali, na sua Lourenço Marques, foram «horas inesquecíveis de descoberta», a ler «vorazmente – mas, sempre, devagar – e com intensidade» os livros em que se revia (ibid.: 191). Lendo-os, ele diz que, «estranha e poderosamente», sentia estar a acrescentar-se a si próprio (ibid.: 172), a ponto de se apaixonar perdidamente pela Senhora de Rênal (ibid.: 124). Aliás, o princípio do primeiro capítulo destas memórias são uma clara homenagem às primeiras linhas do Le Rouge et le Noir de Stendhal. Tal como, ao longo do presente volume, são constantes as evocações literárias dos seus grandes autores preferidos.

Foi por causa dos livros que nos tornámos amigos, o Eugénio Lisboa e eu, há quase quatro décadas, amizade que se alargou logo às nossas famílias e que perdura, com outras fiéis presenças, numa saudável e sempre divertida tertúlia prandial. Uma vez, perante uma banca de venda de livros, atravancada de lixo com capas estridentes, desabafava ele: «Até parece que os editores, depois de separarem o trigo do joio, só publicam o joio».

Mais tarde, partiu o pão em pequeninos (como gosta de dizer) e explicou-se numa entrevista (apud Martins e Almeida, 2011: 413-420): «O que se passa é quase obsceno. E mete medo. Entrar em quase 90% das livrarias causa náuseas: é o reino do mono-estilo, com a promoção sistemática e despudorada do que há de pior: o pimba, o piroso, o sensacionalão, o grande best-seller de lá de fora e de cá de dentro. O chover no molhado: promover, a grandes custos, o que por natureza da sua própria mediocridade já está promovido». E acrescentava Eugénio Lisboa, com o seu proverbial desassombro: «Os grandes heróis dos editores e dos livreiros são os senhores-da-televisão-que-também-escrevem-livros e que despertam a concupiscência dos jovens e não tão jovens que sofrem de iliteracia aguda e por isso gostam de comprar os livros daqueles senhores e senhoras que aparecem muito no petit écran». Noutro local (Lisboa, 2012b), anotava ainda o crítico: «O talento umas vezes não dá dinheiro, outras dá até bastante. (…) A falta de talento não é impeditiva de se ganhar pequenas fortunas: os escritores televisivos que o digam».

Felizmente, ainda se registam exceções promissoras, no campo livreiro. Uma delas, a favor do próprio autor desta catilinária, será a Opera Omnia, chancela de Guimarães que lançou o volume de homenagem a Eugénio Lisboa (Martins e Almeida, 2011) e acaba de lhe editar as memórias (Lisboa, 2012). De assinalável qualidade, este objeto editorial de 208 páginas pode ser assim descrito: capa, contracapa, impressão e acabamento eficazes; caderno de extratextos correto; ergonomia gráfica coerente (papel, formato, grelha, corpo e tipo de letra, entrelinhamento, brancos, hierarquia de títulos); cabeças de página à inglesa (coisa hoje rara, pois até a INCM se esquece delas, como pode verificar-se nos títulos que editou de Eugénio Lisboa...). Só é pena não apresentar um índice remissivo de nomes e lugares, que faz muita falta.

Em resumo, no presente livro, a forma ou «encenação da escrita», como alguém lhe chamou, está bem ao serviço do estatuto deste autor. Mas tal qualidade técnica – para a qual contribuem, em rede social interativa, diferentes profissões do livro (cf. Martins, 2005) – nem sempre é percebida por todos os sucessivos e diferentes clientes. Sabemos que a sociologia considera o livro como «objeto de dupla face, económica e simbólica, mercadoria e significação» e cada mediador como «personagem igualmente dupla, condenada a conciliar a arte e o dinheiro, o amor da literatura e a procura do lucro, através de estratégias que se situam algures entre dois extremos: submissão cínica às considerações comerciais e indiferença heroica ou insensata às necessidades da economia» (Bourdieu, 1999).

Eugénio Lisboa, com a sua experiência de gestor cultural, também sabe. Ele próprio afirmou, aqui, na Universidade de Aveiro: «Pessoalmente, sinto sempre uma aflita gratidão por todos aqueles que quiseram correr, com as minhas congeminações, riscos que não estou certo de merecer. Por isso digo, e com sinceridade o digo: não matem o editor, ele está a fazer o melhor que sabe» (Lisboa, 2007). Já o dissera antes, no atrás citado prefácio à reedição do seu Régio (Lisboa, 1986): «Apesar dos exemplos de gente que nos maltrata a alma e os textos, tenho sido absurdamente feliz. O meu editor mais frequente – o Estado – tem atuado de modo praticamente impecável».

***

Algumas outras hipóteses poderiam ser trabalhadas, no modelo de análise aqui brevemente ensaiado para este livro de memórias. Por exemplo: a da muita curiosidade que, logo em pequeno, o fazia «beber as conversas com sofreguidão» (Lisboa, 2012: 22); a da dureza da vida, temperada pelo gosto do que «faz viver» (ibid.: 62-63); a da ironia, do humor e da sátira, por certo afinadas mais tarde com o seu mestre Montherlant; a do fascínio pelo cinema que «perdurou até hoje» (idem: 26); a da fragilidade da vida versus o prazer da escrita (ibid.: 22, 35, 69, 80-81); e até a antiquíssima dimensão poética. Desta última eu não saberia falar, pois reconheço que tenho pouco ouvido para a poesia.

Mas aproveito a deixa da poesia para terminar com uma história autêntica, passada no solar de Teixeira de Pascoaes (perto de Amarante) e transmitida por Maria José Teixeira de Vasconcelos, sobrinha do escritor. Um dia, apareceu lá um grupo de miúdos para uma visita à casa. Entraram no terreiro e um deles, mais afoito, galgou logo as escadas, espreitou pela porta entreaberta e gritou para baixo: «Eh, malta, o gajo era rico». Nesse preciso momento, a Senhora Dona Maria José surgiu à porta e observou: «Então o menino trata o poeta por gajo?». Meio atordoado, o miúdo ainda fez este comentário: «Ah, o gajo também era poeta?»


Universidade de Aveiro, 17 de Dezembro de 2012

Jorge Manuel Martins [1]
 martins.jorge.manuel @ gmail.com

Publicado na RUA-L (Revista da Universidade de Aveiro – Letras), nº 1, 2.ª série, 2012, 401-408.


BIBLIOGRAFIA CITADA

BOURDIEU, Pierre (1999) «Une Révolution Conservatrice dans l’Édition», Actes de la Recherche en Sciences Sociales, Março, Paris, Seuil.

LISBOA, Eugénio (1986 [1976]) José Régio, a Obra e o Homem, Lisboa, Publicações Dom Quixote.
LISBOA, Eugénio (1996 [1973, 1975]) Crónica dos Anos da Peste, Lisboa, INCM.
LISBOA, Eugénio (2007) «Não Matem o Editor: Ele Está a Fazer o Melhor que Sabe», Ofícios do Livro, Universidade de Aveiro.
LISBOA, Eugénio (2009) Indícios de Oiro II, Lisboa, INCM.
LISBOA, Eugénio (2012) Acta est Fabula. Memórias I - Lourenço Marques (1930-1947), Guimarães, Opera Omnia.
LISBOA, Eugénio (2012b) «Os Juros do Talento», JL Jornal de Letras, Artes e Ideias, 21 de Março.
MARTINS, Jorge Manuel (1999) Marketing do Livro. Materiais para uma Sociologia do Editor Português, Oeiras, Celta.
MARTINS, Jorge Manuel (2005) Profissões do Livro. Editores e Gráficos, Críticos e Livreiros, Lisboa, Verbo.
MARTINS, Otília Pires / ALMEIDA, Onésimo Teotónio de (org.) (2011) Eugénio Lisboa: Vário, Intrépido e Fecundo: Uma Homenagem, Guimarães, Opera Omnia.


[1] Jorge Manuel Martins. Natural de Lisboa, doutorado em Sociologia da Comunicação e da Cultura pelo ISCTE, membro da Academia Portuguesa da História. Professor universitário e consultor de empresas, foi membro da Comissão Nacional da UNESCO e presidente do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. É autor de Marketing do Livro (1999), Patrimónios Mundiais com Selo Português (2003), Profissões do Livro (2005) e de vários volumes da série anual Portugal em Selos.