28 dezembro 2016

O primeiro livro em inglês sobre José Régio: "A educação na novela de internato: a obra de José Régio"

FIRST ENGLISH BOOK ABOUT JOSÉ RÉGIO


Education and the Boarding School Novel
The Work of José Régio
2017 - 172 pages
Filipe Delfim Santos

ISBN Paperback: 9789463007399 ($ 54.00)
ISBN Hardcover: 9789463007405 ($ 99.00)
ISBN E-Book: 9789463007412
Subject: Educational Theory


 Free Preview Education and the Boarding School Novel



In this book, the author contributes to genre theory, space theory (suggesting allotopia for heterotopia, or describing hypertopia versus hypotopia), the study of authorship, the formation and education novels, and develops such concepts as Leidensgeschichte or the Telemachus complex. Based on Portuguese writer José Régio’s novel A Drop of Blood (1945), he studies the cultural meaning of the immersion paradigm in education and some historical and anthropological features of boarding schools and other institutions of confinement.

This book is of interest to those studying the philosophy of education, masculinist nineteenth-century educational theories—in particular about masculine friendships—the place of the Bildungsroman in genre theory, Foucault’s ideas on ‘other spaces’, and the implications of narcissism, melancholia, and nostalgia for the trauma narrative.

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08 setembro 2016

Saiu a Correspondência de José Régio com Eugénio Lisboa - set. 2016


Edição e notas: Filipe Delfim Santos
Prólogo: Eugénio Lisboa
ed. INCM, Lisboa 2016, 368 pp.
preço de capa 27€




Correspondência com Eugénio Lisboa exibe, sob a forma epistolar, a distinta amizade que uniu José Régio e Eugénio Lisboa sendo por inerência um exercício reflexivo sobre os grandes valores da vida, sobre a literatura e o seu processo de criação e, citando Eugénio Lisboa, sobre o «difícil equilíbrio entre o sonho e a disciplina necessária à construção de uma obra».

Com edição de Filipe Delfim Santos este livro conta também com um prólogo de Eugénio Lisboa que contextualiza a história, a amizade, o tempo e o homem.

«É esse acervo de cartas suas, a que junto as que lhe escrevi, que hoje aqui se fixa em livro, por me parecer de interesse humano e literário. Nele, Régio dá eminente testemunho da sua integridade, frontalidade, inteligência e sensibilidade». Eugénio Lisboa.

02 junho 2016


MAPA DE NAVEGAÇÃO DESTE SITE:



Páginas recentemente alteradas: LEITURAS e VISITAS À CASA DO POETA. Foram começadas algumas páginas novas: DESENHOS e AVIÃO. A BIBLIOGRAFIA continua a crescer.

Os links para a obra regiana estão na coluna da esquerda:


LIVROS (onde aos poucos também vão sendo publicados resumos interpretativos das obras de ficção) TEXTOS DISPERSOSCORRESPONDÊNCIACARTAS AVULSAS (página apenas iniciada), ENTREVISTAS (apenas iniciada também), TEATRO - ESTREIAS,  CINEMA,  PREFÁCIOSANTOLOGIAS e ARTE, página dedicada à sua obra plástica, e ainda DEDICATÓRIAS E AUTÓGRAFOS.

Estas páginas acima, referentes à obra de Régio, são apresentadas em cronologia ascendente.

As páginas seguintes estão listadas em cronologia descendente, com os contributos mais recentes no início, tal como esta de 'Notícias'.

BIBLIOGRAFIAWEBGRAFIA (textos publicados originalmente na web), BIBLIOGRAFIA ESTRANGEIRATRADUÇÕESapenas iniciadas, pois o levantamento desta bibliografia é o mais extenso trabalho a ser cumprido pelo site.

No final fazemos as VISITAS À CASA DO POETA e assistimos a uma recolha de LEITURAS - interpretações artísticas da poesia regiana.

Ainda à esquerda: LIGAÇÕES EXTERNAS, GRUPO DA PRESENÇA, GERAÇÃO DA PRESENÇA, NEOPRESENCISTAS.

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Abaixo ver as notícias de atualidade com interesse para os estudos regianos:


18 abril 2016

Apresentação do livro 'José Régio: Correspondência com seu irmão Antonino', organizada por Filipe Delfim Santos

Casa Museu José Régio, 18 de abril de 2016, 18.00H
Com a presença de Filipe Delfim Santos e de Manuela Neves Pereira



O Livro

Devo começar por informar que, neste livro, presentifica-se a correspondência a Antonino do homem, José Maria dos Reis Pereira, e não do escritor, José Régio. Embora nela encontremos traços de estilo inequivocamente regianos (de escrita, de linguagem, de pensamento) pois que inequivocamente o homem serve ao escritor, não mesclemos o primeiro com o segundo. Esta correspondência deixa, assim, conjeturar o homem, José Maria dos Reis Pereira, numa relação, que pessoalmente considero muito íntima, privada: a fraternal, em todos os ângulos afetivos, emocionais e, neste caso, e principalmente, legais (lei/legado) que tal acarreta.

De facto, neste volume, temos acesso a uma correspondência persistente (note-se que estão aqui recolhidas 65 missivas que, desde a terceira carta aqui integrada, balizam temporalmente o começo em 1957 e o final em 1965), contrastando com a correspondência anterior, que se extraviou, e que se adivinha ter sido ocasional (de finais dos anos 20 a finais dos anos 50), da qual apenas aqui constam as duas primeiras epístolas apresentadas (uma de 1929, outra de 1949).

Aludindo sucintamente à história de vida de Antonino, este tinha emigrado para o Brasil ainda muito jovem. Lá, e conforme F. Delfim Santos refere nesta obra, acabara «confinado à mediania de uma existência de empregado de escritório, probo e bem-comportado» (p. 16). Com efeito, Antonino nunca regressaria em vida a Portugal, sendo que o próprio José Maria dos Reis Pereira, naquela que era a sua consciência de família e de união da mesma, consegue que, anos depois do seu falecimento, os seus restos mortais sejam trazidos para Portugal e integrem o jazido da família em Vila do Conde.

A corrente missiva que aqui se foca, entre José Maria dos Reis Pereira (o mais velho de seus irmãos Júlio, Antonino, Ana, Apolinário e João Maria, sendo que antes dele ainda nascera uma irmã que falecera em criança) e Antonino, trata predominantemente de um aspeto que preenche os contornos de uma relação fraternal, numa vertente legal: o das partilhas da herança da família, legada por falecimento de seu pai. De facto, esta correspondência sobressai no tratamento deste tema, parecendo anunciar uma certa frieza ou materialismo por parte dos irmãos; todavia há que contemplar o tratamento de etapas burocráticas generosas (em quantidade e qualidade) que os processos de herança e partilhas acarretam, associando-se estes à distância geográfica que apartava (e muito) os dois irmãos e que muito acabava por intrincar (aliás, percebe-se pela correspondência que o mesmo se passara com o seu outro irmão, Apolinário, pois que este vivia então em Angola). A acrescentar, o acervo de correspondência nesta temática também se justifica na descrição minuciosa e transparente das partilhas, de modo a manter uma relação fraternal de confiança e cumplicidade. Com efeito, o próprio José Maria dos Reis Pereira refere na carta 48: «Felizmente, tudo tem vindo correndo bem, sem essas questões que tanto me chocam nas famílias que se zangam por causa de interesses em luta» (pp. 215-216).

Ainda, nesta correspondência, além da exploração deste tema, outros são abordados. Assim, esparsa e pontualmente são refletidos aspetos da vida do escritor (as suas obras, algumas das suas personagens e narrativas, a sua intelectualidade, os seus prémios, a sua notoriedade: de facto, Antonino nunca deixa de manifestar grande admiração e orgulho fraternal pelo percurso intelectual do seu irmão); a vida social, económica e parcamente intelectual (e até íntima…) de Antonino no Brasil; o relato de pequenas vivências em família, por parte de José, no Natal, principalmente. Outro tema, aquele que mais se destaca, a seguir ao que trespassa maioritariamente toda a correspondência, é o da pesca. Antonino fizera dela um hobbie e muitas vezes fazia encomendas relacionadas com este desporto a seu irmão José.

Apresentação sumária por partes

Não me irei, entretanto alongar relativamente à Correspondência visada e temática nela existente. De facto, este livro é muito mais do que a sua coleção.

Assim, numa apresentação sumária desta obra, nela encontramos: um estudo introdutório, da autoria de Filipe Delfim Santos. Nele observamos, não só um enquadramento temporal, pessoal e familiar destes dois irmãos; como um aprofundamento descritivo de Antonino como «um irmão à parte» (Conforme aparece retratado nas Páginas do Diário Íntimo, Régio, 2000: 366) que «Tinha um feitio muito especial…, coisa aliás mais ou menos extensiva a todos os irmãos» (Régio, Carta a Flávio Gonçalves, 05.11.1965), e cuja personalidade é equiparada, por Delfim Santos, a uma das personagens de Histórias de Mulheres, 'Rosa brava', caracterizada pelo seu feitio indomesticável e, por vezes, diabólico. O interesse e a admiração pela obra literária do irmão, associados à pretensão crítica e intelectual, ainda que pouco desenvolvida, de Antonino, é outra das abordagens deste estudioso. Ainda, nesta parte se justifica uma das últimas contribuições deste livro: o exercício literário da adaptação do conto 'Uma Anedota de Gaiatos' (da autoria de José Régio), através da devolução dos onomásticos ocultados das personagens ali existentes, sendo que o 'José' é aqui a personagem principal e 'Antonino', a secundária. De facto, esta é também uma forma de melhor conhecermos estes dois irmãos, na sua relação fraternal.

A intercalar este estudo introdutório e a adaptação deste conto encontramos não só a correspondência entre estes dois irmãos, como excertos de Páginas do Diário Íntimo Confissão de um Homem Religioso de José (o Epílogo) e duas missivas do mesmo autor (uma para Flávio Gonçalves; outra para Constantino Maia) que também observam a descrição, não só de Antonino, mas da relação fraternal que com ele tinha José Maria dos Reis Pereira.

Mas não ficamos por aqui: a finalizar este livro, um pequeno álbum fotográfico de família coroado pela tábua cronológica dos irmãos Reis Pereira. Enfim, uma obra completa que não só transcreve, em parte, como deixa adivinhar, a relação deste dois irmãos tão diferentes, mas tão iguais no berço do seu amor fraternal.


Prof. Doutora Maria José Marcelino Madeira D'Ascenção

21 março 2016

A poesia sai à rua numa homenagem ao poeta José Régio - Portalegre, 21.03.2016


Lusa, 08 Mar, 2016, 10:14 | Portalegre evoca José Régio no Dia Mundial da Poesia

O poeta José Régio (19011960) vai ser homenageado em Portalegre, numa iniciativa da Fundação Inatel, que se realiza Dia Mundial da Poesia, a 21 de março, divulgou hoje esta instituição.

A praça da República da cidade altoalentejana e o Centro de Artes e Espetáculos são os cenários para um "espetáculo de homenagem e celebração da vida e obra de Régio, no qual participam vários grupos culturais através da poesia, teatro, música, dança e cinema, numa viagem com encenação a cargo de Hugo Sovelas", segundo fonte da Fundação.

No dia 21, a partir das 16:30, na Praça da República e no Café Concerto do Centro de Artes e Espetáculo, realizam-se "diversas atividades, nas quais a população é desafiada a traduzir a poesia e o colecionismo, duas paixões incontestáveis da personalidade de Régio, através da pintura, desenho e escrita, culminado numa instalação que será exibida no final do espetáculo", segundo a mesma fonte.

A partir das 17:00 realizam-se visitas guiadas à Casa Museu José Régio, que "darão a conhecer o gosto do poeta por antiguidades e pelo colecionismo, num percurso dirigido em que o ator Paulo Bórgia, que dará corpo ao homenageado, revelará uma faceta mais íntima do artista" e o facto de esse gosto, segundo o próprio autor, ter raízes na influência de seu avô.

Às 19:00, no grande auditório do Centro de Artes e Espetáculo, o ator Rui Mendes procederá à leitura do Manifesto da Poesia intitulado "A palavra feita de palavras", um original do escritor José Luís Peixoto.

O espetáculo conta ainda com as participações do Coro Infantil dos Assentos, do grupo de cante alentejano "Os Lagóias" do Orfeão de Portalegre, dos grupos Momentos da Poesia, Amigos da Poesia e Silvina Candeias, de Vocalóide Teatro vocal e coreográfico, e da fadista Alexandra Martins, acompanhada pelos músicos José Sousa, na guitarra portuguesa, e José Geadas, na viola.

Refira-se que José Régio, autor de "Fado português", que Amália Rodrigues gravou, "Cântigo negro" e "Toada de Portalegre", entre outros poemas, foi professor no Liceu Mouzinho da Silveira, na cidade de Portalegre, que preserva a sua casa como museu, incluindo coleções de escultura, pintura, faiança, mobiliário, metais e têxteis, destacando-se a dos Cristos.

A casa era uma pensão, onde Régio alugou um quarto, mas, ao longo dos 34 anos em que viveu na cidade, foi adquirindo outros quartos, até ficar com a casa por completo. Em 1965, Régio vendeu a sua coleção à Câmara Municipal com a condição de esta adquirir a casa, a restaurar e transformar em Museu, ficando o autor de "Vestido cor de fogo" com o usufruto até à sua morte, que ocorreu em Vila do Conde, sua terra natal, a 22 de dezembro de 1969. A Casa Museu abriu portas a 23 de maio de 1971.

Esta iniciativa da Fundação "enquadra-se na missão cultural da INATEL, enquanto consultora da Unesco para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial e pretende evocar a importância do património literário português".

O fadista Ricardo Ribeiro adiantou à Lusa, que está a preparar a composição musical para "Toada de Portalegre", um poema de José Régio, dedicado à cidade, que deverá apresentar no final deste ano, no Teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa.