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08 setembro 2016

Saiu a Correspondência de José Régio com Eugénio Lisboa - set. 2016


Edição e notas: Filipe Delfim Santos
Prólogo: Eugénio Lisboa
ed. INCM, Lisboa 2016, 368 pp.
preço de capa 27€




Correspondência com Eugénio Lisboa exibe, sob a forma epistolar, a distinta amizade que uniu José Régio e Eugénio Lisboa sendo por inerência um exercício reflexivo sobre os grandes valores da vida, sobre a literatura e o seu processo de criação e, citando Eugénio Lisboa, sobre o «difícil equilíbrio entre o sonho e a disciplina necessária à construção de uma obra».

Com edição de Filipe Delfim Santos este livro conta também com um prólogo de Eugénio Lisboa que contextualiza a história, a amizade, o tempo e o homem.

«É esse acervo de cartas suas, a que junto as que lhe escrevi, que hoje aqui se fixa em livro, por me parecer de interesse humano e literário. Nele, Régio dá eminente testemunho da sua integridade, frontalidade, inteligência e sensibilidade». Eugénio Lisboa.

18 abril 2016

Apresentação do livro 'José Régio: Correspondência com seu irmão Antonino', organizada por Filipe Delfim Santos

Casa Museu José Régio, 18 de abril de 2016, 18.00H
Com a presença de Filipe Delfim Santos e de Manuela Neves Pereira



O Livro

Devo começar por informar que, neste livro, presentifica-se a correspondência a Antonino do homem, José Maria dos Reis Pereira, e não do escritor, José Régio. Embora nela encontremos traços de estilo inequivocamente regianos (de escrita, de linguagem, de pensamento) pois que inequivocamente o homem serve ao escritor, não mesclemos o primeiro com o segundo. Esta correspondência deixa, assim, conjeturar o homem, José Maria dos Reis Pereira, numa relação, que pessoalmente considero muito íntima, privada: a fraternal, em todos os ângulos afetivos, emocionais e, neste caso, e principalmente, legais (lei/legado) que tal acarreta.

De facto, neste volume, temos acesso a uma correspondência persistente (note-se que estão aqui recolhidas 65 missivas que, desde a terceira carta aqui integrada, balizam temporalmente o começo em 1957 e o final em 1965), contrastando com a correspondência anterior, que se extraviou, e que se adivinha ter sido ocasional (de finais dos anos 20 a finais dos anos 50), da qual apenas aqui constam as duas primeiras epístolas apresentadas (uma de 1929, outra de 1949).

Aludindo sucintamente à história de vida de Antonino, este tinha emigrado para o Brasil ainda muito jovem. Lá, e conforme F. Delfim Santos refere nesta obra, acabara «confinado à mediania de uma existência de empregado de escritório, probo e bem-comportado» (p. 16). Com efeito, Antonino nunca regressaria em vida a Portugal, sendo que o próprio José Maria dos Reis Pereira, naquela que era a sua consciência de família e de união da mesma, consegue que, anos depois do seu falecimento, os seus restos mortais sejam trazidos para Portugal e integrem o jazido da família em Vila do Conde.

A corrente missiva que aqui se foca, entre José Maria dos Reis Pereira (o mais velho de seus irmãos Júlio, Antonino, Ana, Apolinário e João Maria, sendo que antes dele ainda nascera uma irmã que falecera em criança) e Antonino, trata predominantemente de um aspeto que preenche os contornos de uma relação fraternal, numa vertente legal: o das partilhas da herança da família, legada por falecimento de seu pai. De facto, esta correspondência sobressai no tratamento deste tema, parecendo anunciar uma certa frieza ou materialismo por parte dos irmãos; todavia há que contemplar o tratamento de etapas burocráticas generosas (em quantidade e qualidade) que os processos de herança e partilhas acarretam, associando-se estes à distância geográfica que apartava (e muito) os dois irmãos e que muito acabava por intrincar (aliás, percebe-se pela correspondência que o mesmo se passara com o seu outro irmão, Apolinário, pois que este vivia então em Angola). A acrescentar, o acervo de correspondência nesta temática também se justifica na descrição minuciosa e transparente das partilhas, de modo a manter uma relação fraternal de confiança e cumplicidade. Com efeito, o próprio José Maria dos Reis Pereira refere na carta 48: «Felizmente, tudo tem vindo correndo bem, sem essas questões que tanto me chocam nas famílias que se zangam por causa de interesses em luta» (pp. 215-216).

Ainda, nesta correspondência, além da exploração deste tema, outros são abordados. Assim, esparsa e pontualmente são refletidos aspetos da vida do escritor (as suas obras, algumas das suas personagens e narrativas, a sua intelectualidade, os seus prémios, a sua notoriedade: de facto, Antonino nunca deixa de manifestar grande admiração e orgulho fraternal pelo percurso intelectual do seu irmão); a vida social, económica e parcamente intelectual (e até íntima…) de Antonino no Brasil; o relato de pequenas vivências em família, por parte de José, no Natal, principalmente. Outro tema, aquele que mais se destaca, a seguir ao que trespassa maioritariamente toda a correspondência, é o da pesca. Antonino fizera dela um hobbie e muitas vezes fazia encomendas relacionadas com este desporto a seu irmão José.

Apresentação sumária por partes

Não me irei, entretanto alongar relativamente à Correspondência visada e temática nela existente. De facto, este livro é muito mais do que a sua coleção.

Assim, numa apresentação sumária desta obra, nela encontramos: um estudo introdutório, da autoria de Filipe Delfim Santos. Nele observamos, não só um enquadramento temporal, pessoal e familiar destes dois irmãos; como um aprofundamento descritivo de Antonino como «um irmão à parte» (Conforme aparece retratado nas Páginas do Diário Íntimo, Régio, 2000: 366) que «Tinha um feitio muito especial…, coisa aliás mais ou menos extensiva a todos os irmãos» (Régio, Carta a Flávio Gonçalves, 05.11.1965), e cuja personalidade é equiparada, por Delfim Santos, a uma das personagens de Histórias de Mulheres, 'Rosa brava', caracterizada pelo seu feitio indomesticável e, por vezes, diabólico. O interesse e a admiração pela obra literária do irmão, associados à pretensão crítica e intelectual, ainda que pouco desenvolvida, de Antonino, é outra das abordagens deste estudioso. Ainda, nesta parte se justifica uma das últimas contribuições deste livro: o exercício literário da adaptação do conto 'Uma Anedota de Gaiatos' (da autoria de José Régio), através da devolução dos onomásticos ocultados das personagens ali existentes, sendo que o 'José' é aqui a personagem principal e 'Antonino', a secundária. De facto, esta é também uma forma de melhor conhecermos estes dois irmãos, na sua relação fraternal.

A intercalar este estudo introdutório e a adaptação deste conto encontramos não só a correspondência entre estes dois irmãos, como excertos de Páginas do Diário Íntimo Confissão de um Homem Religioso de José (o Epílogo) e duas missivas do mesmo autor (uma para Flávio Gonçalves; outra para Constantino Maia) que também observam a descrição, não só de Antonino, mas da relação fraternal que com ele tinha José Maria dos Reis Pereira.

Mas não ficamos por aqui: a finalizar este livro, um pequeno álbum fotográfico de família coroado pela tábua cronológica dos irmãos Reis Pereira. Enfim, uma obra completa que não só transcreve, em parte, como deixa adivinhar, a relação deste dois irmãos tão diferentes, mas tão iguais no berço do seu amor fraternal.


Prof. Doutora Maria José Marcelino Madeira D'Ascenção

16 dezembro 2015

resenha do Professor Mário Carneiro ao livro 'Cartas de José Régio com seu irmão Antonino'

Caro Filipe,

Ontem à noite acabei de ler o seu livro Correspondência de José Régio com seu irmão Antonino (nov. 2015).


Achei a sua introdução muito interessante, não só pela informação que faculta ao leitor, e que é relevante para uma leitura mais rica e contextualizada das cartas, mas também pelas observações que faz acerca das personalidades e da história pessoal de ambos.

Pareceu-me muito pertinente a opção que tomou de incluir «Recordação de Antonino», de José Constantino Maia. Dá-nos um acesso privilegiado a certos elementos muito significativos da personalidade deste irmão de Régio.

Gostei particularmente das cartas 1 e 2. São interessantíssimos a descrição e os comentários que Antonino faz da e sobre a «sua» Vila do Conde. Igualmente curiosa é, na carta 2, a forma como Antonino expressa a sua leitura psicanalítica da novela «O Vestido Cor de Fogo».

Aliás, estas duas cartas criam no leitor uma expectativa sobre as cartas seguintes de Antonino que infelizmente não se pôde confirmar, pois o problema das partilhas sobrepôs-se a quase tudo o resto, não deixando grande espaço à manifestação do seu lado (provavelmente) mais culto e criativo (este último ilustrado, por exemplo, na passagem da carta 26, em que diz «Nós os portugueses solteiros que vivemos longe da Pátria e não temos família aqui, passamos o Natal e o Ano Novo na boîte dançando e bebendo na companhia de horizontais de todas as nacionalidades»).

Neste ponto, o leitor fica, pelo menos eu fiquei, com o desejo de que Antonino não tivesse morrido tão cedo. Certamente que o desenvolvimento da correspondência entre ambos (após a resolução da «problemática» das partilhas) talvez nos tivesse revelado, relativamente a Antonino, uma personagem bem sui generis, e, relativamente a Régio, o aprofundamento de alguns elementos do seu carácter e personalidade que se evidenciam nestas cartas. Fica-se com pena de que assim não tenha acontecido.

Duas notas finais: gostei do modo como estruturou o livro e que tenha decidido apresentar uma versão desencriptada de «Uma Anedota de Gaiatos».

Concluindo: deixo-lhe as minhas felicitações.

Receba o meu abraço,

Mário Carneiro

Investigador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto

22 novembro 2015

20 de nov. 2015 - lançamento do carteio de José Régio com seu irmão Antonino

Surpreendente esta edição das cartas trocadas entre José Régio e o seu irmão Antonino que, em 1924, com 19 anos de idade, emigrara para o Brasil e que nunca mais se reuniria com a sua família.


Extrato do 'Estudo Introdutório':


«José e seu irmão Antonino nasceram no mesmo berço e receberam a mesma formação primordial, mas esta produziu resultados divergentes que se evidenciaram logo quando o primeiro rumou a Coimbra para seguir estudos superiores de Letras, optando o segundo, pouco antes de o seu irmão concluir a licenciatura, por uma precoce vida de trabalho e partindo com 19 anos de idade para o Recife, capital do Estado do Pernambuco, no Brasil.

Tal como discorre Régio em carta ao seu amigo Flávio Gonçalves, o Brasil perfilava-se para Antonino como o Eldorado de sonho que o sucesso do tio-avô brasileiro lhe figurava promissor, esse José Maria Pereira que em 09.11.1844, com 14 anos de idade, para escapar às dificuldades de ter nascido entre mais 13 irmãos, tirara passaporte para o mesmo Pernambuco, vindo depois, durante a década de 70 do séc. xix, a fixar-se na capital do Império do Brasil, o Rio de Janeiro. Terá sido a consciência de que a família devia o seu confortável estatuto económico e social à aventura do tio-avô dos irmãos Reis Pereira pelas terras brasílicas que terá atenuado a objeção paterna à emigração de Antonino para o Nordeste brasileiro.

Podemos dizer que Antonino triunfou no Brasil e que simultaneamente se quedou muito aquém dos seus sonhos. Aquém, porque, manifestamente, não conheceu no Recife o sucesso que o seu tio-avô obtivera décadas antes e acabou confinado à mediania de uma existência de empregado de escritório, probo e bem-comportado. Mas a sua emigração foi também um êxito, já que conseguiu integrar-se e aculturar-se, conquistando uma vida estável e socialmente acomodada. Sem essa adaptação ele teria sido forçado a regressar à sua terra natal em falência económica e moral, como sucedera a Manuel da Bouça, o anti-herói de Emigrantes de Ferreira de Castro».









Imagens do lançamento:




Créditos: Florindo Madeira, Filipe Pereira

Ver também:


26 março 2015

Henrique Villaret escreve biografia de João Villaret destacando a correspondência com José Régio


Henrique Villaret escreve biografia de João Villaret


João Villaret - Duas mãos que abertas deram tudo


Esta fotobiografia escrita por Henrique Villaret, foi apresentada no dia 27 de Março no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II.

Resultado de um longo trabalho de investigação, recolha e organização, esta obra comemorativa do centenário do nascimento de João Villaret (1913-1961) inclui inéditos da vida artística daquele a quem em Portugal chamavam «Génio Dramático» e no Brasil «Milagre Humano».

Com capa dura, tem 520 páginas. PORÉM, LAMENTA-SE A AUSÊNCIA DO ÍNDICE ONOMÁSTICO, INDISPENSÁVEL NUMA OBRA DESTE TIPO.

Ao longo do livro, é de destacar a correspondência com António Botto, Miguel Torga, Palmira Bastos, João Gaspar Simões, Alfredo Cortez, José Régio...

LER MAIS AQUI
E EM: 'CORRESPONDÊNCIA' 2015.

Livro de poemas de Barroso da Fonte "Braços duma cruz" transcreve carta de José Régio



Durante algum tempo desconheci a criatividade poética de Barroso da Fonte e com o seu livro «Braços duma Cruz», pude saborear 122 poemas da sua juventude, de 1958 a 1961, que estavam perdidos no meio de outro imenso espólio bibliográfico.

É uma edição fac-similada e bem coordenada pelo seu filho, João Pedro Miranda, da Editora Cidade-Berço, de 2015, em que Barroso da Fonte usava o pseudónimo raiano de João Montaño.

Tem uma cruz na capa e a contracapa é a reprodução de uma carta manuscrita de 10.09.1966, que lhe endereçou o escritor José Régio já doente, três anos antes de falecer, agradecendo-lhe os livros «Neves e Altura» e «Formas e Sombras» e diz-lhe:

«(…) O meu Amigo tem que dizer e di-lo, - não se acorrente à moda dos formalismos requintados e ocos. (…)
Também lhe aconselharia a leitura dos nossos grandes poetas e prosadores clássicos (…).
De vez em vez, há versos bastante felizes, versos cheios, nos seus poemas (…)».


O «Preâmbulo» dos «Braços duma Cruz» é assinado pelo João Montaño, tão destemido e de rosto inteiro como Barroso da Fonte que conhecemos e diz-nos:

«acima de tudo amo a lealdade. Poderia ocultar muitos destes versos censuráveis, (…) aproveito tudo quanto tenho de bom e mau».

Amigo leitor, se tiver oportunidade, leia este livro raro, de edição limitada, de belos poemas, dum poeta «antes quebrar que torcer», podendo ser pedido para ecb@mail.pt.

Ler mais em: http://tempocaminhado.blogspot.pt/2015/03/livro-bracos-duma-cruz-com-carta.html.

Ver carta em CARTAS AVULSAS DE JOSÉ RÉGIO.