09 novembro 2013

Texto de apresentação na Universidade de Aveiro de "Acta Est Fabula", Memórias de Eugénio Lisboa, vol. I, 17/12/2012


Jorge Manuel Martins

MEMÓRIAS CRUZADAS

Para a Antonieta Lisboa


Regresso sempre à Universidade de Aveiro com verdadeiro prazer. A última vez foi para o lançamento do livro de homenagem a Eugénio Lisboagrande obra coletiva entusiasticamente organizada por Otília Pires Martins e Onésimo Teotónio de Almeida, belamente editada pela Opera Omnia e oportunamente patrocinada por esta Universidade (Martins e Almeida, 2011).

Concederam-me então o privilégio de integrar o grupo dos 72 autores desse volume e de poder contribuir com um artigo sobre diplomacia cultural, a propósito da presidência de Eugénio Lisboa na Comissão Nacional da UNESCO. Nesse meu pequeno testemunho, fiz questão de só citar textos do homenageado, para fugir à tentação de falar de mim.

Hoje, porém, tratando-se do primeiro volume das suas próprias memórias – provocantemente intituladas Acta est Fabula (Lisboa, 2012) –, seja-me permitido quebrar tal protocolo e cruzar algumas das minhas memórias pessoais com as deste autor. Por uma simples razão: somos amigos há quase quatro décadas e só esse facto explica o convite, tão inesperado quanto honroso, para estar aqui.

Antes de avançar, devo fazer um aviso e uma declaração de interesses. Não sou crítico literário e, como sociólogo da comunicação e da cultura, desconfio da investigação assética. Mais: tenho alguma dificuldade em ser isento e, no caso presente, não pretendo de todo ser isento – porque admiro muito o Eugénio Lisboa. Tanto, que faço minhas as célebres palavras de Romain Rolland, então endereçadas a Henry de Montherlant: «o mundo é mais rico para mim desde que o conheço».

Afinal, que venho eu aqui fazer? Nunca fui a Moçambique e sou (um pouco) mais novo do que o autor destas memórias. Além da amizade, só posso explicar ainda a minha presença, neste lançamento, com o facto de vir dedicando, à sua obra, ao longo dos anos, toda a atenção de que sou capaz. Julgo ter sido D’Annunzio a recordar-nos que a melhor homenagem, que podemos prestar a um autor, é justamente a atenção.

Armado destas credenciais e sabendo-me numa universidade, venho aqui propor um modelo de análise para a identificação de chaves de leitura deste singular livro. Dir-me-ão – e bem – que a escrita de Eugénio Lisboa não carece de chaves de leitura. Ele sempre praticou a clareza própria dos pensamentos profundos, a limpidez típica de quem pensa bem. Suspeito, porém, que a leitura do presente livro, à luz de uma obra produzida em mais de meio século, pode ser altamente reveladora.

Em que baseio tal suspeita? Possuindo quase todos os seus livros publicados – sempre em generosa oferta e calorosamente dedicados –, consegui agora regressar rapidamente às páginas que mais me impressionaram. E encontrei muita matéria de interesse para ser cruzada com o atual primeiro volume de memórias – enquanto não chegam os próximos... 

Não, não estou a propor um modelo de tipo psicanalítico. Estou tão-só a tentar aliciar investigadores para uma revisitação da obra do autor e, a partir de tal retrospetiva, para uma leitura das suas memórias. Como veem, é bem ambicioso o modelo de análise aqui avançado: dá tese – e de doutoramento! Não será esta a oportunidade para ensaiar o modelo. Aliás, faltar-me-iam o engenho, a arte e o tempo para concretizar tão grandioso objetivo. Por hoje e a título de exemplo, vou cingir-me à enunciação de cinco meras hipóteses de trabalho, eventualmente operativas.

RÉGIO A primeira hipótese pode ser a de estudar a vasta produção regiana deste autor. Foi por aí que eu próprio comecei, pela leitura deslumbrada de um original sobre José Régio, que andava esquecido na editora Arcádia, até que eu o recuperei e publiquei em 1976. Dez anos depois, a história foi contada no prefácio da segunda edição (Lisboa, 1986) e a dedicatória pessoal acrescentava o seguinte: «Para o Jorge Martins, a quem este livro também pertence, por razões que o prefácio explicitamente dá». Face a tão rara generosidade, a minha surpresa ditou uma imediata e sensibilizada resposta, que veio a ressurgir, na introdução ao meu Marketing do Livro (Martins, 1999).

Curiosamente, nas presentes memórias, Eugénio Lisboa relata o seu «primeiro encontro com José Régio» em Moçambique, aos 16 anos, através da leitura do volume de abertura da saga familiar A Velha Casa – um Régio que ele próprio «viria a conhecer, pessoalmente, oito anos mais tarde e a cuja obra consagraria não pouco do [seu] tempo de estudioso da literatura e de escritor» (Lisboa, 2012: 155-158).

MONTHERLANT A segunda hipótese, para o entendimento do homem e da obra destas memórias, pode ser o conjunto dos textos que, ao longo da vida, Eugénio Lisboa vem dedicando a Henry de Montherlant. Recentemente, afirmou que o escritor francês o fascina desde os 20 anos e que, por isso, a ele regressa constantemente «como quem recarrega baterias» (Lisboa, 2009: 171).

Recordo uma conferência de 1967 intitulada 'Henry de Montherlant e a Moral do Artista'. Só a li em 1976, quando me remeteu de Paris os dois volumes da primeira edição da Crónica dos Anos da Peste, mais tarde reeditada num só tomo pela INCM (Lisboa, 1996) e então saudada, num semanário, como «um dos livros mais desassombrados na história da nossa crítica». Foi nessa conferência que descobri esta bela confissão do nosso autor: «Montherlant, o mais pessoal, o mais independente, o mais descaradamente verdadeiro e direto de todos os escritores franceses do século XX (…), era bem o exemplo que me convinha», como «professor de independência» neste nosso «mundo de escravos e de robots» (ibid.: 218). E quanto às virtudes recomendadas por Montherlant na Carta de um Pai a seu Filho, realçava estas: «coragem, civismo, altivez, retidão, desprezo, desinteresse, cortesia, gratidão e ‘de uma maneira geral, tudo o que se entende pela palavra generosidade’» (ibid.: 220).

É ainda nessa conferência que Eugénio Lisboa resume, no binómio honestidade-coragem, a moralidade do escritor em Montherlant. E explica: «A honestidade é essencial para se não embrulhar os resultados da lucidez. Mas a honestidade pode calar-se. Para que se exprima é necessária a coragem» (ibid.: 240). Todos nós, que ouvimos e lemos o nosso autor há muitos anos, percebemos assim os motivos por que ele não se cala, mesmo quando se trata de um prémio Nobel ou de um primeiro-ministro…

A moral do artista está primeiro. Montherlant recordou-lhe que a «lealdade consigo próprio é a maior marca de respeito que um escritor pode dar ao público» (ibid.: 241). Também por isso, nas presentes memórias, afirma-se que foi tomado o partido de se dizer «só a verdade, embora não toda a verdade», até para garantir que elas valham, como «testemunho de uma época e de um lugar» (Lisboa, 2012: 71-72, 87, 135-136). Eu diria que essa é exatamente uma das razões que fazem deste volume muito mais do que simples testemunho de época e de lugar.

MUNDIVIDÊNCIA A terceira hipótese, para cruzar esta recente retrospetiva memorialística com as linhas estruturais do homem e da obra, pode receber aqui o nome de mundividência. Há quatro anos, no dia do aniversário do Eugénio Lisboa, a minha mulher e eu oferecemos-lhe um grande livro, cheio de impressionantes fotos aéreas do planeta Terra. Quisemos assim dizer-lhe que tínhamos aprendido, com ele, a ver o mundo… de avião.

De facto, a partir de meados dos anos 70, para nós, acabados de sair do orgulhoso e provinciano isolamento português, ele passou a representar alguém que trazia notícias… lá de cima. Vinha dos fundos do hemisfério Sul (Moçambique), a caminho dos cumes do hemisfério Norte (Suécia); trazia, na mesma bagagem, a engenharia e a literatura, a indústria e a poesia, as ciências e as letras; e foi-se deixando ficar entre Londres e Lisboa.

Não era de palavras cruzadas que vinha falar: era de culturas cruzadas ou, melhor, da necessidade de esvaziar a célebre polémica das duas culturas, aberta no final dos anos 50 por C. P. Snow. Para ele, sempre foi natural o cruzamento dos dois campos. Tal como Einstein era tão notável na física como virtuoso no violino, também o jovem Eugénio triunfou tanto nas ciências como nas letras. Ele conta aqui, neste primeiro volume de memórias, como a Matemática e a Literatura o encantavam por igual (Lisboa, 2012: 85, 145), o que lhe valeu quadro de honra quase constante (ibid.: 168), a média final de 18 valores e várias bolsas de estudo (ibid.: 184).

Eu diria que este autor português teve a sorte de nascer e crescer em Moçambique. Porque – reparem nas suas expressões – «dali, via-se a Europa» (ibid.: 71), «por cortesia» de escritores como Balzac, Stendhal ou Thomas Mann (ibid.: 143-144). Em 17 anos de Lourenço Marques, Martin du Gard mostrou-lhe Paris, Pirandello a Itália, Tolstoi a Rússia, Hemingway a América e, tal como tinha acontecido a Montherlant, o celebrado autor do Quo Vadis desvendou-lhe a Roma antiga.

CLÁSSICOS Ao citar Roma, estamos a avançar para a quarta hipótese, a do fascínio pela cultura clássica. Fascínio bem curioso num engenheiro eletrotécnico, mas perfeitamente natural em quem, logo na sua juventude laurentina, já lia Plutarco, Tácito e Platão, Ésquilo e Sófocles, estes dois últimos por indicação do seu amigo Zeca, nada menos que o futuro grande matemático Tiago Oliveira (ibid.: 115, 121, 123).

Fascínio também muito natural em quem se confessa seguidor de Montherlant e lhe chama «o último romano» e «o grande romano do nosso tempo». Para ambos os escritores, a história romana, como «microcosmo de toda a História», é verdadeiramente «o corrimão» onde podem agarrar-se, em momentos sombrios (Lisboa, 1996: 108-109). Deste fascínio pela cultura clássica decorrem, naturalmente, o título deste primeiro volume de memórias, os subtítulos de vários capítulos e tantas, tantas passagens da vasta obra de Eugénio Lisboa. E decorre também, certamente, a «sobriedade de estilo» aprendida com a «aticidade dos clássicos» (Lisboa, 2012: 80-81).

LIVROS À quinta hipótese do meu modelo de análise poderemos chamar a magia dos livros. Teve o Eugénio Lisboa a sorte de lhe calharem grandes professores, por exemplo um que «falava dos livros com uma espécie de volúpia, mesmo de luxúria», sendo «um prazer e uma instrução ouvi-lo e viver com ele a magia dos livros» (ibid.: 46,49). Teve a sorte de, na adolescência, lhe ter entrado pelo quarto adentro uma estante com uma centena de bons livros (ibid.: 122-123) e, assim, o seu mundo de leituras ter-se alargado.

Ali, na sua Lourenço Marques, foram «horas inesquecíveis de descoberta», a ler «vorazmente – mas, sempre, devagar – e com intensidade» os livros em que se revia (ibid.: 191). Lendo-os, ele diz que, «estranha e poderosamente», sentia estar a acrescentar-se a si próprio (ibid.: 172), a ponto de se apaixonar perdidamente pela Senhora de Rênal (ibid.: 124). Aliás, o princípio do primeiro capítulo destas memórias são uma clara homenagem às primeiras linhas do Le Rouge et le Noir de Stendhal. Tal como, ao longo do presente volume, são constantes as evocações literárias dos seus grandes autores preferidos.

Foi por causa dos livros que nos tornámos amigos, o Eugénio Lisboa e eu, há quase quatro décadas, amizade que se alargou logo às nossas famílias e que perdura, com outras fiéis presenças, numa saudável e sempre divertida tertúlia prandial. Uma vez, perante uma banca de venda de livros, atravancada de lixo com capas estridentes, desabafava ele: «Até parece que os editores, depois de separarem o trigo do joio, só publicam o joio».

Mais tarde, partiu o pão em pequeninos (como gosta de dizer) e explicou-se numa entrevista (apud Martins e Almeida, 2011: 413-420): «O que se passa é quase obsceno. E mete medo. Entrar em quase 90% das livrarias causa náuseas: é o reino do mono-estilo, com a promoção sistemática e despudorada do que há de pior: o pimba, o piroso, o sensacionalão, o grande best-seller de lá de fora e de cá de dentro. O chover no molhado: promover, a grandes custos, o que por natureza da sua própria mediocridade já está promovido». E acrescentava Eugénio Lisboa, com o seu proverbial desassombro: «Os grandes heróis dos editores e dos livreiros são os senhores-da-televisão-que-também-escrevem-livros e que despertam a concupiscência dos jovens e não tão jovens que sofrem de iliteracia aguda e por isso gostam de comprar os livros daqueles senhores e senhoras que aparecem muito no petit écran». Noutro local (Lisboa, 2012b), anotava ainda o crítico: «O talento umas vezes não dá dinheiro, outras dá até bastante. (…) A falta de talento não é impeditiva de se ganhar pequenas fortunas: os escritores televisivos que o digam».

Felizmente, ainda se registam exceções promissoras, no campo livreiro. Uma delas, a favor do próprio autor desta catilinária, será a Opera Omnia, chancela de Guimarães que lançou o volume de homenagem a Eugénio Lisboa (Martins e Almeida, 2011) e acaba de lhe editar as memórias (Lisboa, 2012). De assinalável qualidade, este objeto editorial de 208 páginas pode ser assim descrito: capa, contracapa, impressão e acabamento eficazes; caderno de extratextos correto; ergonomia gráfica coerente (papel, formato, grelha, corpo e tipo de letra, entrelinhamento, brancos, hierarquia de títulos); cabeças de página à inglesa (coisa hoje rara, pois até a INCM se esquece delas, como pode verificar-se nos títulos que editou de Eugénio Lisboa...). Só é pena não apresentar um índice remissivo de nomes e lugares, que faz muita falta.

Em resumo, no presente livro, a forma ou «encenação da escrita», como alguém lhe chamou, está bem ao serviço do estatuto deste autor. Mas tal qualidade técnica – para a qual contribuem, em rede social interativa, diferentes profissões do livro (cf. Martins, 2005) – nem sempre é percebida por todos os sucessivos e diferentes clientes. Sabemos que a sociologia considera o livro como «objeto de dupla face, económica e simbólica, mercadoria e significação» e cada mediador como «personagem igualmente dupla, condenada a conciliar a arte e o dinheiro, o amor da literatura e a procura do lucro, através de estratégias que se situam algures entre dois extremos: submissão cínica às considerações comerciais e indiferença heroica ou insensata às necessidades da economia» (Bourdieu, 1999).

Eugénio Lisboa, com a sua experiência de gestor cultural, também sabe. Ele próprio afirmou, aqui, na Universidade de Aveiro: «Pessoalmente, sinto sempre uma aflita gratidão por todos aqueles que quiseram correr, com as minhas congeminações, riscos que não estou certo de merecer. Por isso digo, e com sinceridade o digo: não matem o editor, ele está a fazer o melhor que sabe» (Lisboa, 2007). Já o dissera antes, no atrás citado prefácio à reedição do seu Régio (Lisboa, 1986): «Apesar dos exemplos de gente que nos maltrata a alma e os textos, tenho sido absurdamente feliz. O meu editor mais frequente – o Estado – tem atuado de modo praticamente impecável».

***

Algumas outras hipóteses poderiam ser trabalhadas, no modelo de análise aqui brevemente ensaiado para este livro de memórias. Por exemplo: a da muita curiosidade que, logo em pequeno, o fazia «beber as conversas com sofreguidão» (Lisboa, 2012: 22); a da dureza da vida, temperada pelo gosto do que «faz viver» (ibid.: 62-63); a da ironia, do humor e da sátira, por certo afinadas mais tarde com o seu mestre Montherlant; a do fascínio pelo cinema que «perdurou até hoje» (idem: 26); a da fragilidade da vida versus o prazer da escrita (ibid.: 22, 35, 69, 80-81); e até a antiquíssima dimensão poética. Desta última eu não saberia falar, pois reconheço que tenho pouco ouvido para a poesia.

Mas aproveito a deixa da poesia para terminar com uma história autêntica, passada no solar de Teixeira de Pascoaes (perto de Amarante) e transmitida por Maria José Teixeira de Vasconcelos, sobrinha do escritor. Um dia, apareceu lá um grupo de miúdos para uma visita à casa. Entraram no terreiro e um deles, mais afoito, galgou logo as escadas, espreitou pela porta entreaberta e gritou para baixo: «Eh, malta, o gajo era rico». Nesse preciso momento, a Senhora Dona Maria José surgiu à porta e observou: «Então o menino trata o poeta por gajo?». Meio atordoado, o miúdo ainda fez este comentário: «Ah, o gajo também era poeta?»


Universidade de Aveiro, 17 de Dezembro de 2012

Jorge Manuel Martins[1]
 martins.jorge.manuel @ gmail.com

Bibliografia citada

BOURDIEU, Pierre (1999) «Une Révolution Conservatrice dans l’Édition», Actes de la Recherche en Sciences Sociales, Março, Paris, Seuil.
LISBOA, Eugénio (1986 [1976]) José Régio, a Obra e o Homem, Lisboa, Publicações Dom Quixote.
LISBOA, Eugénio (1996 [1973, 1975]) Crónica dos Anos da Peste, Lisboa, INCM.
LISBOA, Eugénio (2007) «Não Matem o Editor: Ele Está a Fazer o Melhor que Sabe», Ofícios do Livro, Universidade de Aveiro.
LISBOA, Eugénio (2009) Indícios de Oiro II, Lisboa, INCM.
LISBOA, Eugénio (2012) Acta est Fabula. Memórias I - Lourenço Marques (1930-1947), Guimarães, Opera Omnia.
LISBOA, Eugénio (2012b) «Os Juros do Talento», JL Jornal de Letras, Artes e Ideias, 21 de Março.

MARTINS, Jorge Manuel (1999) Marketing do Livro. Materiais para uma Sociologia do Editor Português, Oeiras, Celta.
MARTINS, Jorge Manuel (2005) Profissões do Livro. Editores e Gráficos, Críticos e Livreiros, Lisboa, Verbo.
MARTINS, Otília Pires / ALMEIDA, Onésimo Teotónio de (org.) (2011) Eugénio Lisboa: Vário, Intrépido e Fecundo: Uma Homenagem, Guimarães, Opera Omnia.

Publicado na RUA-L (Revista da Universidade de Aveiro – Letras), nº 1, 2.ª série, 2012, 401-408.

[1] Jorge Manuel Martins. Natural de Lisboa, doutorado em Sociologia da Comunicação e da Cultura pelo ISCTE, membro da Academia Portuguesa da História. Professor universitário e consultor de empresas, foi membro da Comissão Nacional da UNESCO e presidente do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. É autor de Marketing do Livro (1999), Patrimónios Mundiais com Selo Português (2003), Profissões do Livro (2005) e de vários volumes da série anual Portugal em Selos.